terça-feira, 25 de junho de 2013

Sonho lúcido

Eu não te amo. Apenas tenho um receptor no meu cérebro para algo que só existe em você.
Isso não é amor. É apenas uma coincidência neurológica. 
O receptor estava lá e esse algo em você o ativou.
Eu não penso em você. São apenas algumas sinapses.
Eu não me lembro de você. O que eu me lembro é de ter sonhado com você.
Pois tudo não passou de um sonho lúcido do que seria um encaixe perfeito.
Mais nada.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Carapuça

Obrigada a você, que não me aguenta
assim me alimento da sua encrenca
Se queres usar essa vestimenta
Fique a vontade...
Pois onde você enxerga um problema
que felicidade!
Eu faço um poema.

sábado, 15 de junho de 2013

Cronos

O relógio atropela
todos os dias
o tempo da mente.
O tempo não volta, 
o tempo dá voltas...
Tolo é quem não se dá conta que gira também
em torno da terra,
em torno do sol,
em torno do relógio,
em torno de si.
Tolo é quem acha que tempo vivido é tempo passado
e fica com o tempo subjetivo congelado.
Repetindo, repetindo, repetindo...
Os ponteiros insistem: escola, vestibular, carro, faculdade, casamento, filhos, netos...
...mas o sujeito permanece parado,
                             foi atropelado.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Freud explica

Há muito me indaga
        a sua linguagem
quando eu precisava
        de uma carona
você, prontamente
        me questiona:
"Quer ir comigo?
 tem lugar lá em casa."
Mas rapidamente
      corrige o tropeço
       "digo, no carro."
Até hoje me indago
    fizeste um convite,
    ou um ato falho?

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Gordices, dietas e tudo o mais


Hoje eu resolvi fazer algo de diferente.

Resolvi ficar na minha casa, na minha piscina, tomando meus bons drink, e dividindo com vocês esses momentos meus...

...é... só que não.

Há meses tento escrever alguma coisa sobre comida. Mas sempre que eu penso em comida eu vou até a cozinha. Aliás, vou ali e já volto...

...

Isso me faz pensar que eu nunca compraria um frigobar pro meu quarto, porque parte da graça de comer é parar o que se está fazendo, levantar, ficar meia hora olhando pra geladeira e depois voltar. E enquanto eu tento escrever esse texto eu já levantei três vezes. Às vezes eu penso que sou hiperativa, mas depois me lembro de que não existem hiperativas gordinhas...

Bem, brincadeiras à parte, eu não levantei nenhuma vez pra comer, e nem acho que sou hiperativa, e existem sim hiperativas gordinhas. Mas voltando ao assunto, hoje eu queria falar sobre dieta, sobre essa dificuldade em fazer dieta, comer bem, emagrecer, e tudo o mais.

A minha vida inteira eu fiz dieta. E a minha vida inteira eu fiz gordice. Minha vida sempre foi um ciclo sem fim de dois extremos: quando eu estou completamente bitolada com as calorias e uma alimentação mais saudável, e quando eu absolutamente não estou me importando com nada disso. Também há aquelas épocas que eu tento me controlar para que eu emagreça bem muito e tenha crédito para poder comer o que eu quiser e o quanto eu quiser. Isso porque eu simplesmente desconheço um prazer que supere o de comer. Não é um mero abastecimento nutricional. É o primeiro prazer na vida de cada um de nós: matar a fome. Assim que nascemos o nosso choro é calado com a barriga cheia. E isso fica no inconsciente.

Mas nessa geração da beleza relacionada à magreza, ceder ao prazer de comer é uma atitude que chega a ser condenável. Para atingir o corpo ideal você deve passar fome e comer matinho. É o sacrifício que se paga para ser linda (padrão de beleza em voga). Além de passar fome e comer matinho você é obrigada a ver todos os seus amigos comendo, porque ninguém entende quando você fala: não vou comer isso porque estou de dieta. Sempre dizem: só um pouquinho não engorda não. Mas e a tortura de comer só um pouquinho? É difícil se controlar. E pior ainda: quando te chamam para um lanche ou algo do tipo, e você diz que não vai, aí a pessoa fica com raiva e diz: você deveria me fazer companhia pelo menos, cadê a sua força de vontade?

Dieta é uma coisa extremamente vinculada à força de vontade (termo esse que nunca entendi bem o sentido), e a uma disciplina tão rígida que você chega a se questionar se o resultado vale mesmo o esforço. Há aqueles que dizem que o melhor caminho é o da reeducação alimentar. Mas só de ouvir esse termo dá um desespero em pensar que vai comer essas coisinhas saudáveis para o resto da vida. Pô, e a minha coxinha? E meu sanduíche do Mc Donalds? Sério, e daí se eu fui bombardeada a vida inteira com mensagens subliminares e tudo o mais? Tarde demais, eu quero minha batatinha!

Força de vontade é uma coisa que a gente tem que economizar. Não é coisa pra ficar gastando à toa não. Não é uma força que quanto mais você exercita mais ela cresce. Pelo contrário, é um turbo de jogo de luta de videogame, você tem que usar com estratégia. Ela pode crescer de novo, mas antes que isso aconteça você já enfiou a cara inteira em um bolo de chocolate. E depois vem a culpa, a angústia de ter sido fraco. Mas não, que culpa temos em gostar de comer? Essa é a primeira coisa que tem que ir embora para que a alimentação saudável seja sustentável.

Porque querendo ou não um dia aparece sim aquele confronto com a realidade: e a minha saúde? E meu corpo? Sou fútil em pensar na aparência? Ou sou desleixada em não ligar para isso? Isso é um conflito eterno.

Demorou, mas eu finalmente entendi o sentido de se ter uma alimentação e hábitos de vida saudáveis. Não adianta tentar lavagem cerebral nas pessoas e dizer que isso é questão de saúde, quando há uma área no inconsciente que acha que a gente é imortal. Enfim, porque dessa vez é diferente para mim, já que eu disse que estou eternamente nesses ciclos de conscientização e relaxamento total? A diferença é que eu entendi a grande questão, que é: precisamos aguentar os baques da vida!

Quando comecei a trabalhar, o meu ritmo de vida acelerou tanto que eu não estava aguentando. Chegava em casa com dores e com olheiras, muitas vezes até desidratada. Quando estabeleci um estilo de vida mais saudável, eu dobrei minha disposição e energia e comecei a produzir muito mais. Minha jornada diária nem termina aí, consigo tranquilamente estudar e me dedicar a outras atividades. Tudo isso porque assumi o controle dos meus hábitos e a responsabilidade vinculada a eles. Isso é o mais importante. Comer de forma desordenada atrapalha muito, e te “livra” de uma responsabilidade que na verdade você está se enganando em não assumir. Voltando àquilo que disse sobre o fato de levantar, abrir a geladeira, pensar no que vai comer, isso tem que sumir. É preciso saber exatamente o que vai comer, e assumir essa responsabilidade. Fazendo disso um hábito, facilita na hora de tomar decisões, e os sacrifícios vão ficando cada vez menores.

E somente após ter isso em mente, podemos assumir outros passos que é começar a realmente gostar daquilo que está comendo, do matinho e tudo mais. Você começa a inventar novas formas de comer matinho. E os resultados são diários! Metas são importantes, precisamos sim de resultados instantâneos. Mas sejamos realistas: pequenos resultados instantâneos, que são uma grande vitória. Não adianta querer perder 10 quilos em uma semana e gastar todos os seus esforços de uma única vez. Como eu falei, está gastando força de vontade sem estratégia.

Outra coisa que ajuda é entender um pouco de nutrientes. Você começa a pensar que tem coisas que nem vale a pena comer. E quando eu digo isso eu não estou falando da sua comida preferida. Se tal coisa é sua comida preferida, é você que vai estabelecer se vale a pena comer ou não, você é quem sabe o tamanho da sua vontade. Um exemplo: refrigerante. Eu sou a melhor pessoa para se falar sobre isso porque não tenho nenhum tipo de hipocrisia ao falar sobre refrigerante. Isso se deve ao fato de que eu ADORO refrigerante. Questão de bolhas e tal. Mas enfim, é uma coisa que eu particularmente só tomo sem açúcar. Sim, eu sei que também faz mal e tudo o mais. Mas em nível nutricional, um copo de coca cola não acrescenta em nada, a não ser o fato de uma bomba de açúcar que instantaneamente é absorvida pelo seu organismo. E não vai nem matar sua sede, você vai acabar tendo que beber mais, e nem é tão prazeroso assim, pra pessoa ficar se deliciando com isso. É uma coisa pra você tomar e pronto. No caso de uma cheesecake de goiaba, não, você fica ali aproveitando aquele nirvana em forma de sobremesa, e querendo ou não tem alguns nutrientes sim. Claro que quando você tem uma meta, você quer cumpri-la o mais rápido possível, e mesmo sabendo que é uma coisa a longo prazo, você tem que se privar de algumas coisas do dia a dia sim. E é aí que você vai usar a sua força de vontade, de pouquinho em pouquinho. E eventualmente vai comer comidas mais calóricas, e tão prazerosas. E sem culpa, porque comer é muito bom! E não tem que ser de outra forma.

E aí vai chegar o dia (espero muito mesmo que esse dia chegue para todos nós!) em que não é preciso se preocupar com o “não comer”, e não porque vamos comer descontroladamente e aproveitar o crédito que conquistamos, e sim porque o controle será algo natural. E não um estado de vigilância 24 horas por dia.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Goodbye, spring!


- É lindo o seu jeito de dizer o seu nome!

- Como assim? É normal. – ela disse estranhando a constatação.

- Não, parece uma menina de cinco anos quando diz o seu nome.

- Deixa de ser besta! – disse ela, rindo.

- Deixo não esse ser besta! – ele disse, enquanto a abraçava.

- Já deixou...

- Não deixei, estou aqui, não estou?

- É, está. – ela admitiu cabisbaixa. – Mas... amanhã não estará.

- É só uma coisa que eu tenho que fazer por mim.

- Eu sei. Mas você sabe que eu te seguiria aonde você fosse, né? – confessou ela.

- Por que nunca me disse isso antes? – ele indagou surpreso.

- Eu queria que você fosse livre pra tomar sua decisão.

- Mas isso poderia me impedir, talvez fosse diferente.

Talvez fosse. Mas ela achava que deixar as pessoas livres era uma prova de amor. E essa era sua última prova de amor. Um adeus.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Let it be, words of wisdom


A partir do momento que você aceita uma coisa, entender deixa de ser prioridade. Nesse mundo onde o normal é ser egoísta, entender as pessoas chega a ser um ato de bondade. E eu sempre tento entender e até defender quem me faz mal, mas isso é muito exaustivo. Às vezes eu queria ser uma daquelas pessoas que não estão muito preocupadas com o que as pessoas pensam, e que a vontade e os desejos delas sempre sobressaem. Mas eu estou preocupada demais com todo mundo, e não porque me sinto insegura, na verdade estou preocupada com a insegurança das pessoas, e seus motivos para agirem como agem.

Sempre achei que a partir do momento que você entende o porquê de alguém agir de determinada forma, você fica mais tranquilo em relação a isso. Mas isso pode se tornar uma tarefa em que você está testando muito mais a sua própria tolerância do que realmente entendendo os outros. E chega uma hora que entender ou não, não muda os fatos, e não muda em nada o resultado final. Então, como diria a minha avó, o que não tem remédio, remediado está. É difícil aceitar. Mas é libertador.

Acho que a coisa mais difícil de se libertar é de sentimentos. Nós criamos tanto apego a um sentimento por alguém, por exemplo, que muitas vezes surgem até dúvidas se gostamos verdadeiramente ou não dessa pessoa, mas não queremos deixar de gostar, e acabamos por alimentar ainda mais uma coisa que talvez devêssemos aproveitar para cair fora. E devido a esse apego eu sempre tento ver a situação pelo lado de fora (como se isso fosse possível) e acabo ficando triste. Porque o que me deixa mais triste das minhas histórias tristes, não é minha tristeza em si. Eu supero bem essas coisas. Aliás, sou capaz de aguentar tanta coisa que ninguém imagina. Talvez eu passe uma imagem de frágil, mas isso é mesmo um engano. O que me deixa triste de verdade é a dó que eu tenho dos meus sentimentos. Eu acho que eu tenho desperdiçado sentimentos nobres, de entrega e cuidado, com pessoas que os desvirtuam completamente. E isso é muito triste. E é muito triste aceitar que tem pessoas que não merecem nossa devoção. E não porque não merecem devoção alguma (lá vou eu tentar justificar essas pessoas novamente), mas porque não se sentem honradas por isso. Porque para elas, tanto faz. E aí eu meio que isolo o sentimento da história, e fico pensando: como pode alguém não dar valor a isso?

Acontece que não é só o mundo que está dando voltas. Nós estamos girando, e girando e girando sem perceber. E quando vemos, estamos repetindo as mesmas coisas de sempre, e a mesma história acontece várias e várias vezes. É muito difícil tomar algo por definitivo nessa vida. E é por isso que nos importamos com muita coisa sem necessidade, e nos apegamos a coisas que não nos fazem bem. Mas como diz Caetano Veloso, “o tempo é compositor de destinos”. E o tempo se encarrega de fechar ciclos. É só esperar e aceitar. Então podem acontecer coisas no nosso caminho que a princípio nos arrependemos, mas aí  nos lembramos de que não tem como se arrepender de uma coisa que foi determinante para fechar algum ciclo na sua história. Devemos aceitar que há coisas que fogem ao nosso controle. São responsabilidades do tempo.